MARIA EDNA TELES
CURSO DE PÓS GRADUAÇÃO EM ARTETERAPIA
PORTFÓLIO DIGITAL APRESENTADO À PROFESSORA CRISTINA PINTO LOPES,
RESPONSÁVEL PELA DISCIPLINA DE LINGUAGENS CORPORAIS EM ARTE TERAPIA
DO CURSO DE PÓS GRADUAÇÃO EM ARTE TERAPIA PELA FAINTVISA
RECIFE, DEZEMBRO DE 2010
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
MEU PORTIFÓLIO
PENSAMENTO
“Para entender nós temos dois caminhos: o da sensibilidade, que é o entendimento do corpo; e o da inteligência que é o entendimento do espírito. Eu escrevo com o corpo. Poesia não é para compreender, mas para incorporar. Entender é parede; Procure ser árvore.”
Manoel de Barros

INTRODUÇÃO:
Desejo falar aqui, das vivências que experimentei durante o estudo da disciplina de “linguagens corporais em arteterapia”, com as professoras: Patrícia Barreto, Maria Eduarda Buarque e Cristina Pinto Lopes. Estas experiências foram as mais significativas para mim.
As experiências aconteceram dentro de um tempo determinado, espaço apropriado, com um fechamento compartilhado. Porém, não finalizou ali, nada estacionou. O que vivi, vem repercutindo no meu dia a dia.
As barreiras que tenho encontrado são o reflexo das minhas próprias dificuldades. Essa é a compreensão a que chego, depois de uma busca reflexiva em mim mesma.
Não deixei de indagar o porquê de tamanha dificuldade, para entrar em contato com este tempo. Não muito depois, veio outra solicitação. Formaríamos pequenos grupos e cada membro contaria uma história significativa da sua infância. Outra vez me deparei com um bloqueio angustiante. Não chegava à minha memória nada que fosse interessante. Ouvindo as histórias que o meu grupo contava, suas artes e traquinagens, comecei a perceber o quanto eu sempre me cobrei. Minha infância foi muito “certinha”, sem grandes aventuras nem travessuras.

VIVÊNCIAS DO CORPO EM MOVIMENTO
O MEU CORPO

Meu corpo é um milagre
Ele tem vida, tem beleza, suavidade.
Meu corpo é leve, e eu pensava não ser.
É a expressão do amor que me pôs aqui.
O meu corpo é um mistério.
Nele experimento muitos movimentos,
Lágrimas, gargalhadas, assovios, silêncio,
Som ritmado em forma de canção, dança.
Ele sua, treme, esfria, esquenta, palpita, agita,
Acalma, adormece, acorda.
E quando acorda é só vida, que deixa o ar entrar e sair,
E assim purifica o simples e extraordinário ato de existir.
Se você dançar a noite inteira não significa dar bobeira
De manhã se alienar ou esquecer
É a busca do supremo equilíbrio, num processo inteligente sua mente
clarear sem perceber
E a intelectualidade
Pode Dançar sem receio
Descanso é pra alimentar
E trabalhar sem anseio
Eu tô olhando pra ponta
Mas não esqueço do meio
Quem acha o corpo uma ofensa
Falo sem demagogia
Pode dançar essa noite
E amanhã pensar quem diria
Quem não entendeu eu lamento
Quero que entenda algum dia
“Para entender nós temos dois caminhos: o da sensibilidade, que é o entendimento do corpo; e o da inteligência que é o entendimento do espírito. Eu escrevo com o corpo. Poesia não é para compreender, mas para incorporar. Entender é parede; Procure ser árvore.”
Manoel de Barros

INTRODUÇÃO:
Desejo falar aqui, das vivências que experimentei durante o estudo da disciplina de “linguagens corporais em arteterapia”, com as professoras: Patrícia Barreto, Maria Eduarda Buarque e Cristina Pinto Lopes. Estas experiências foram as mais significativas para mim.
As experiências aconteceram dentro de um tempo determinado, espaço apropriado, com um fechamento compartilhado. Porém, não finalizou ali, nada estacionou. O que vivi, vem repercutindo no meu dia a dia.
As barreiras que tenho encontrado são o reflexo das minhas próprias dificuldades. Essa é a compreensão a que chego, depois de uma busca reflexiva em mim mesma.
O trabalho corporal, através dos mais diversos movimentos, gestos, dança livre, toques; tem me proporcionado maior conscientização, valorização e apropriação do meu próprio corpo. Encenar em arteterapia proporcionou a mim uma reflexão interna, que me levou a elaborar conteúdos do passado.
O amadurecimento se dá gradativamente ao longo do curso. Desta forma, sinto que cresço como pessoa a cada encontro. Tanto no meu aspecto emocional, quanto no social.
O amadurecimento se dá gradativamente ao longo do curso. Desta forma, sinto que cresço como pessoa a cada encontro. Tanto no meu aspecto emocional, quanto no social.
DESENVOLVIMENTO

Recordo da minha infância, tempo terno e saudoso, em que eu brincava e estudava. Lembro-me também dos medos que me acompanhavam fielmente. E que atrapalhavam a magia deste tempo.
Recordo da minha infância, tempo terno e saudoso, em que eu brincava e estudava. Lembro-me também dos medos que me acompanhavam fielmente. E que atrapalhavam a magia deste tempo.
Quando fomos convidados pela professora Patrícia Barreto, a encenar uma brincadeira da infância, não foi fácil. Eu não consegui recordar nenhuma brincadeira facilmente. Sempre que tentava, ficava acompanhada de muita tensão. Finalmente veio à memória a brincadeira de esconde-esconde. Eu a encenei com muito prazer. Parecia ter voltado àquelas noites em São Paulo, onde passei minha infância. Que saudade!


Não deixei de indagar o porquê de tamanha dificuldade, para entrar em contato com este tempo. Não muito depois, veio outra solicitação. Formaríamos pequenos grupos e cada membro contaria uma história significativa da sua infância. Outra vez me deparei com um bloqueio angustiante. Não chegava à minha memória nada que fosse interessante. Ouvindo as histórias que o meu grupo contava, suas artes e traquinagens, comecei a perceber o quanto eu sempre me cobrei. Minha infância foi muito “certinha”, sem grandes aventuras nem travessuras.
Daí percebi o quanto estava sendo exigente com as pessoas do meu afeto, e especialmente com minha filha. Compreendi o quanto estava impedindo ela de fazer suas peraltices. Um sentimento de culpa veio à tona. Mas também o aprendizado. Eu sabia que a partir daquele momento já não seria a mesma.
Assim tem sido, eu me sinto mais flexível, compreensiva, tolerante, menos incomodada com pequenos detalhes, pormenores, e atenta aos meus “boicotes” internos.
Assim tem sido, eu me sinto mais flexível, compreensiva, tolerante, menos incomodada com pequenos detalhes, pormenores, e atenta aos meus “boicotes” internos.
VIVÊNCIA DOS
SETE PECADOS CAPITAIS
SETE PECADOS CAPITAIS
Ao refletir sobre os sete pecados capitais, cheguei ao entendimento, de que todos nós temos um pouco de cada um. Porém, um entre todos, se sobressai em cada pessoa. Isso me deixou mais confortável.
Ao buscar o meu pecado capital, reconheci o da ira, como sendo o principal. A minha ira é por muitas vezes contida, mas ela está lá. Eu me percebo como um cristal, que facilmente é afetado e se quebra. E tenho dificuldade em demonstrar meu desagrado.
Mas quando o revelo, é através de uma explosão emocional. Sempre me arrependo depois. A minha ira não vai longe, basta expressá-la e tudo passa. As vezes me pergunto: será que minha ira é uma indignação não expressa? Entrar em contato com este pecado capital me fez refletir mais sobre mim mesma. Incomodou, mas no final trouxe um bem.
Que espalha esperança
E transforma sal em mel?
Quem é esse saltimbanco
Falando em rebelião
Como quem fala de amores
Para a moça do portão?
Quem é esse que penetra
No fundo do pantanal
Como quem vai manhãzinha
Buscar fruta no quintal?
Quem é esse que conhece
E transforma sal em mel?
Quem é esse saltimbanco
Falando em rebelião
Como quem fala de amores
Para a moça do portão?
Quem é esse que penetra
No fundo do pantanal
Como quem vai manhãzinha
Buscar fruta no quintal?
Quem é esse que conhece
Alagoas e Gerais
E fala a língua do povo
Como ninguém fala mais?
Quem é esse?
De quem essa ira santa
Essa saúde civil
Que tocando a ferida
Redescobre o Brasil?
Quem é esse peregrino
Que caminha sem parar?
Quem é esse meu poeta
Que ninguém pode calar?
Quem é esse?
E fala a língua do povo
Como ninguém fala mais?
Quem é esse?
De quem essa ira santa
Essa saúde civil
Que tocando a ferida
Redescobre o Brasil?
Quem é esse peregrino
Que caminha sem parar?
Quem é esse meu poeta
Que ninguém pode calar?
Quem é esse?
VIVÊNCIAS DO CORPO EM MOVIMENTO
Ao relacionar-me com meu corpo, mantenho uma concepção que
é originada de comentários que ouvi de familiares e amigos, e
internalizações minhas. Então sinto meu corpo como sendo tenso,
cansado, bonito, delicado, desengonçado. Parece que quase
nunca ele obedece ao comando da mente. Desejo que meu corpo
se acalme e ele fica ainda mais estressado. Quero ficar acordada e
ele pede para dormir.
Trabalhar com o corpo, é algo que não me deixa à vontade. O
toque me inibe, mas me sinto bem quando posso tocar alguém. As
vivências com a professora Maria Eduarda, envolveram o corpo
integralmente. Rolar no chão sentindo todas as suas partes, gesticular, dançar livre, criar coreografias e ver os
colegas repeti-las, tocar e ser tocada, sentindo a forma do corpo
do outro. (Este momento foi particularmente difícil para mim. Eu
senti invadindo e sendo invadida.) Olhar no olho, abrir os braços e
fechá-los na direção do outro.

Encolher-se ao
máximo lembrando a posição fetal e depois ir se desabrochando no espaço até onde o corpo
pudesse alcançar.
Enfim, tudo incluía enfaticamente o corpo. Foi
embaraçoso ao mesmo tempo que maravilhoso. No final fizemos
uma grande mandala, e dançamos celebrando aquele momento.
Éramos orientados a liberar o corpo o máximo possível dentro do
limite do nosso espaço. A sala parecia atingir a temperatura de 40
graus. Eu pude experimentar aquela energia. Quando tudo se
aquietou, senti que meu corpo estava diferente. Parecia que
mente e corpo estavam em harmonia. Então escrevi esta poesia:
toque me inibe, mas me sinto bem quando posso tocar alguém. As
vivências com a professora Maria Eduarda, envolveram o corpo
integralmente. Rolar no chão sentindo todas as suas partes, gesticular, dançar livre, criar coreografias e ver os
colegas repeti-las, tocar e ser tocada, sentindo a forma do corpo
do outro. (Este momento foi particularmente difícil para mim. Eu
senti invadindo e sendo invadida.) Olhar no olho, abrir os braços e
fechá-los na direção do outro.
Encolher-se ao
máximo lembrando a posição fetal e depois ir se desabrochando no espaço até onde o corpo
pudesse alcançar.
Enfim, tudo incluía enfaticamente o corpo. Foi
embaraçoso ao mesmo tempo que maravilhoso. No final fizemos
uma grande mandala, e dançamos celebrando aquele momento.
Éramos orientados a liberar o corpo o máximo possível dentro do
limite do nosso espaço. A sala parecia atingir a temperatura de 40
graus. Eu pude experimentar aquela energia. Quando tudo se
aquietou, senti que meu corpo estava diferente. Parecia que
mente e corpo estavam em harmonia. Então escrevi esta poesia:
Meu corpo é um milagre
Ele tem vida, tem beleza, suavidade.
Meu corpo é leve, e eu pensava não ser.
É a expressão do amor que me pôs aqui.
O meu corpo é um mistério.
Nele experimento muitos movimentos,
Lágrimas, gargalhadas, assovios, silêncio,
Som ritmado em forma de canção, dança.
Ele sua, treme, esfria, esquenta, palpita, agita,
Acalma, adormece, acorda.
E quando acorda é só vida, que deixa o ar entrar e sair,
E assim purifica o simples e extraordinário ato de existir.
INCOMPATIBILIDADE (OSWALDO MONTENEGRO)
“E bate louco, bate criminosamente
O coração mais do que a mente, bate o pé mais do que o corpo poderia
E se você mentalizasse na folia
Sabe lá se não seria a solução prá de manhã pensar melhor
E caso fosse a incompatibilidade entre o corpo e consciência
Iria desaparecer, você não vê
Como o corpo preparado pode ser iluminado
Como a luz de uma fogueira que precisa se manter
E atingido pela plena consciência
De que o corpo em decadência faz a tua consciência esmorecer
Pelos poros elimina-se o que o corpo não precisa
E não precisa pra pensar e abdicar esse prazer
O coração mais do que a mente, bate o pé mais do que o corpo poderia
E se você mentalizasse na folia
Sabe lá se não seria a solução prá de manhã pensar melhor
E caso fosse a incompatibilidade entre o corpo e consciência
Iria desaparecer, você não vê
Como o corpo preparado pode ser iluminado
Como a luz de uma fogueira que precisa se manter
E atingido pela plena consciência
De que o corpo em decadência faz a tua consciência esmorecer
Pelos poros elimina-se o que o corpo não precisa
E não precisa pra pensar e abdicar esse prazer
Se você dançar a noite inteira não significa dar bobeira
De manhã se alienar ou esquecer
É a busca do supremo equilíbrio, num processo inteligente sua mente
clarear sem perceber
E a intelectualidade
Pode Dançar sem receio
Descanso é pra alimentar
E trabalhar sem anseio
Eu tô olhando pra ponta
Mas não esqueço do meio
Quem acha o corpo uma ofensa
Falo sem demagogia
Pode dançar essa noite
E amanhã pensar quem diria
Quem não entendeu eu lamento
Quero que entenda algum dia
VIVÊNCIA DO OBJETO DE AFETO
OBJETO DO MEU AFETO
Eu te alimento, meu amor,
do meu olhar, do meu toque na sua pele macia,
do meu sorriso, do meu querer você.
Eu te alimento de papinhas e estorinhas,
Que vão fazendo você crescer e amar viver.
Eu te alimento, minha pupila,
Das coisas que acredito,
E me alimento,
Da tua presença singular, na minha vida.
Quando eu soube que deveria levar um objeto de afeto, achei que seria uma tarefa simples, mas fui surpreendida ao me deparar com a falta de uma peça de minha estima. Houve um bloqueio, eu não conseguia encontrar nenhum artigo com o qual eu tivesse um vínculo afetivo. Eu gosto de tudo que tenho, mas não lembrava de nada que fosse particularmente especial, exceto um livro que está perdido, e um CD que foi emprestado.
Percebi que meu afeto precisava ser revisto com muito cuidado. Foi então que recordei de um pratinho que usava para alimentar minha filha, na época em que ela era um bebê. Ele tem um valor singular para mim. Eu levei o pratinho para o trabalho em grupo, e mais tarde recordei de outros objetos que são do meu apreço. Essa vivencia foi muito importante, pois ela me levou a rever valores, e a refletir mais sobre meus afetos. Fiz então uma poesia, a qual dedico à minha filha.
UTILIZANDO OBJETOS DA MINHA VIDA NA ARTE
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